O Poder do Network

O poder é um grande aliado quando se quer realizar algum feito, ainda mais quando usado de forma tácita e não hierárquica, que podemos chamar de um poder de mando, por si só.

O poder emana de diversas formas: hierarquia, reputação, conhecimento, situação financeira e política, entre outras. A qualidade de nossas redes de relacionamentos, ou networks, é também uma das formas de se ter poder e conseguir realizar algum feito. E sobre ele tecerei alguns comentários e observações.

Uma boa olhada para o passado

Quando olho pelo retrovisor, identifico, tardiamente, quantas coisas boas aconteceram comigo, e que foram resultados do meu network. Encontrar minha esposa, com quem estou casado e feliz há mais de 43 anos, é um ótimo exemplo.

Vários empregos cujas indicações vieram por meio de meu network e várias posições em Conselhos ocorreram pelo mesmo motivo. Isso tudo me proporcionou um desenvolvimento profissional e humano que eu não esperava. Além disso, proveram o sustento da minha família.

Mas só nos damos conta da importância do desenvolvimento do network nas situações difíceis, quando precisamos de ajuda. E, então, infelizmente, percebemos que não o temos na qualidade e profundidade desejadas e necessárias.

Nunca é tarde demais

Nunca é tarde para dedicar tempo à tarefa de formar e consolidar o seu network. E ele é muitas vezes desenvolvido de forma natural, sem nos darmos conta: é só se lembrar da sua adolescência e de seu tempo de colégio, talvez como aconteceu comigo e com muitas pessoas. Este é um dos períodos mais férteis de nossas vidas, onde as relações se desenvolvem sem interesses específicos, mas criam raízes profundas e se tornam grandes abrigos onde, até hoje, buscamos conselhos e ajuda. E este auxílio obtemos de imediato, como se tivéssemos nos visto ontem, ainda no pátio da escola!

No período profissional, especialmente no início da carreira, não nos damos conta da importância de desenvolver – de forma sistemática nosso network – de fazer a política corporativa correta, de oferecer ajuda espontânea e criar laços duradouros que poderão ser acionados no futuro.

Isto requer muita dedicação, vontade, abertura e entrega para entender melhor as necessidades de seus colegas, expor suas fraquezas, pedir ajuda quando necessário, sem parecer não natural.

Tenho amigos que me impressionam pela qualidade e profundidade do seu “rolodex”, para os mais novos, sua agenda de contatos, cujas pessoas estão a um telefonema de distância, e pelo sucesso obtido do ponto de vista pessoal e profissional.

Queria dar um exemplo pessoal: quando fui expatriado na Ásia, morando em Xangai, me chamou atenção a dedicação que os chineses têm na formação do seu Guanxi (complexa rede de relações indispensáveis ao funcionamento social e organizacional na China). Deixei a região em 2008 e, de todas as nacionalidades com as quais tive relacionamento pessoal e profissional, os únicos que mantiveram um contato regular foram os chineses.

Para terminar, a construção de um bom network não se resolve através do Linkedin, Instagram ou de qualquer outra rede chamada de social. Se pela definição mais simples, o network é um grupo de pessoas que se apresentam conectadas, interligadas ou relacionadas umas às outras, sem dúvida vamos precisar empenhar esforço real, empático, consciente e duradouro na construção desta relação.

Cuidar de nossas relações não pode ser entendido como dar um “like” em uma foto ou “clicar” em um artigo, somente. Reparem que, quando você precisa de ajuda de verdade ou quer realizar algo, raramente utiliza este tipo de ferramenta. Mas o faz via o bom e velho telefonema – ou o mais moderno WhatsApp – pois, já possui um relacionamento e uma confiança preestabelecidos com as pessoas da vida real. A conversa pode virar um “café virtual” e – quando a pandemia permitir – um encontro pessoal de boas trocas e reforço de vínculos.

Valorizar e cultivar o seu grupo de contatos mais restrito é parte de nossa tarefa como seres humanos integrais.  E, partindo da premissa que “Network é poder”, trabalhe para fortalecer e ampliar o seu!

 


Organizações funcionam tanto por meio de suas redes formais, como das informais, constituídas a partir das estruturas e papéis pré-estabelecidos e do relacionamento entre seus membros. Compreender as relações de poder e identificar, acessar e influenciar essas redes é um fator importantíssimo para a obtenção de resultados dentro das organizações.

O Programa Influência & Poder desenvolve na liderança a capacidade de influenciar positivamente as pessoas, sejam elas funcionários, pares, gestores, fornecedores ou clientes, para a implementação da estratégia.

Sobre
Fernando Bagnoli
Diretor e Professor do Departamento de Direção Geral Lecturer | IESE Business School Pós-Graduação e Especialização pelo IESE Business School / Kellogg Graduate School of Management / Wharton Business School / University of Michigan´s Ross School of Business Mestre em Engenharia Escola Politécnica da USP Engenheiro Escola Politécnica da USP Carreira executiva como Presidente da Quest International para a Ásia Pacífico e América Latina, Presidente da Steelcase do Brasil e Presidente da Umbro International para a América Latina. É membro independente de Conselhos de Administração fbagnoli@ise.org.br
Comentários
  • Cláudio Oliveira de Paula
    Responder

    Prezado Fernando Bagnoli

    Excelente seu artigo sobre network. Utilizo muito o Linkedin e comento com meus perceiros de trabalho sobre as formas corretas de se fazer network no Linkedin sem ser invasivo ou querer fazer vendas em uma primeira abordagem. Trabalho muito a construção de relacionamentos que sejam sustentáveis e agrguem valor às pessoas envolvidas.

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